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Orelha Negra
Escrito por Sin   
02-Jun-2009
Orelha Negra é o mais recente projecto da label Enchufada. Neste novo colectivo constam cinco elementos, sendo que aqui o uso do termo "novo" torna-se paradoxal, tendo (depois de reconhecido) em conta o passado de cada um deles. Ora vejamos: Cruz (DJ/Scratches), Ferrano (Bateria), Gomes Prodigy (Teclados, Sintetizadores e composições), Mira Professional (Sampler de Voz/MPC, composição e Sintetizador) e Rebelo Jazz Bass (Baixo e Guitarra).
Espremida das vivências e influências de cada membro, a música dos Orelha Negra contemplará uma mescla bem doseada de Soul, Funk, Jazz, Groove e Hip Hop. Como prato de entrada foi-nos servido o tema 'Lord'. Se este single vos despertar o apetite, não deixem de ir visitando a casa dos Orelha Negra. Façam-no pela boa música, ela agradece... e a vossa orelha (negra ou não) também.

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Actualizado em ( 01-Jun-2009 )
 
General D
Escrito por Sin   
02-Jun-2009
General D – nome artístico de Sérgio Matsinhe – nasceu em Moçambique, na antiga Lourenço Marques que conta hoje com a designação de Maputo. Saiu do ventre de sua mãe no dia 28 de Outubro de 1971, experimentando a potência das suas cordas vocais pela primeira vez neste mundo. Quando sorvia há dois anos apenas os perfumes do país da marrabenta, a sua família decidiu viajar para Portugal. Assim, foi nos arredores de Lisboa, capital portuguesa, que o pequeno Sérgio Matsinhe cresceu. A sua juventude foi bastante activa. Na escola, a performance de Matsinhe foi francamente boa. A aptidão escolar estendeu-se ao desporto, constando-se que coleccionou algumas meritórias distinções no atletismo.

A sua sede por África levou-o a vasculhar as suas origens. Ao interesse e à inspiração que lhe provinha dos costumes africanos, General D acrescentou-lhe o ritmo e a essência do rap. Nele encontrou uma forma de se exprimir individualmente mas também era um veículo privilegiado para afirmar a sua africanidade. As preocupações de ordem social e política iriam conduzi-lo ao vínculo com movimentos ligados aos direitos das minorias e ao racismo, sendo inclusive candidato a deputado para o Parlamento Europeu pelo antigo partido “Política XXI”.

Nos alvores da década de 90, General D é já um dos grandes dinamizadores e pioneiros, pois claro, do rap em solo luso. Em 1990, organiza mesmo o primeiro festival de rap em Portugal. Tal acontecimento teve lugar na “Incrível Almadense”, na cidade do Cristo-Rei. De entre o leque de convidados para este evento destacaram-se Black Company, African Power e o próprio General D. Em 1993, tornar-se-ia o primeiro rapper nacional a assinar um contrato discográfico. General D afiliou-se à EMI-Valentim de Carvalho. Passado um ano, saía o EP “Portukkkal é um Erro”. Devido à novidade e ao carácter explícito das letras, Portugal recebeu mal o trabalho do artista. Todavia, a implantação do rap em Portugal estava feita e o nome de General D figuraria para sempre no livro de honra do rap em Portugal, em virtude do seu pioneirismo. O abalo que General D provocou extravasou mesmo as fronteiras de Portugal.



Em 1995, General D inicia um périplo de concertos cujos momentos altos foram a actuação no Festival Imperial, na cerimónia de entrega dos prémios do ainda jornal “Blitz” e na Festa do Avante. Ainda nesse ano, é editado o seu álbum “Pé na Tchôn, Karapinha na Céu”, gravado por General D & Os Karapinhas, contando com a produção de Jonathan Miller. Derivando pela pop e pelos sons afro, o rap de General D foi agora bem recebido pela crítica, particularmente o tema “Black Magic Woman”. Com África sempre no pensamento, a música de General D obrigatoriamente teria de emanar essa estética continental, como se cada nota musical contivesse os sabores e exalasse os cheiros de África. Deste modo, tornava-se claro que o rapper pretendia partir do tambor africano até ao rap. Afro-rap, naturalmente. O ano de 95 foi de tal forma fértil para General D que ainda teve tempo para participar com os temas “Intro”, “Olhar para Dentro” e “Timor” no álbum «Timor Livre». Disco este que foi resultado de um espectáculo no Centro Cultural de Belém em que se prestou tributo e se demonstrou solidariedade em relação ao povo timorense.


Chegou 1997 e General D, após concertos dados dentro e fora de portas, edita “Kanimambo”, cuja produção esteve a cargo de Joe Fossard. Daqui para a frente as aparições de General D foram esporádicas. Participações com Ithaka (“Erase the Slate of Hate”), com Fernando Cunha, membro dos Delfins, (“Pensamento Circular”), e nas colectâneas “Sons de Todas as Cores” e “Onda Sonora”. Foi tudo o que General D nos deu a ouvir. Não sei se se retirou definitivamente, se está a fazer uma longa pausa ou sequer se pensa regressar ao rap. O que sei é que é uma pena que não se tenha mais ouvido falar dele.



General D afirmou em várias entrevistas que não gostava que lhe colocassem o rótulo de pai do rap português. Tal recusa devia-se ao facto de General D pretender que o movimento, que dava os primeiros passos no nosso país, fosse unido. Assim, recusava liminarmente hierarquias, preferindo que se sentisse um clima de “irmandade” – palavra usada pelo próprio General D. Precursor, activista do movimento, General D deu-nos uma óptima lição sobre como viver a música. Pela africanidade que tanto prezava, nada melhor do que lhe agradecer em Ronga, idioma originário de Maputo: Kanimambo (obrigado) General D!

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Actualizado em ( 01-Jun-2009 )
 
Entrevista com: Xoye
Escrito por Sin   
02-Jun-2009
"A promessa da produção Nacional"
by Lourenço André

Finalmente conseguimos ter em exclusivo a primeira entrevista com uma das ilustre figura da música urbana.
Xoye é mc e produtor da grande cidade da Amadora, "Novo" por essas andanças mas o seu trabalho e nome já é conhecido pelo menos em toda a zona centro do pais! Com essa entrevista vão poder conhece-lo melhor.

Entrevistador: Jaime Cá
Texto: Jaime Cá, Lourenço André, Xoye



“…Posso dizer que tive sorte surgiram pessoas interessadas em colaborar, mas também digo que levei umas barras pelo caminho, mas continuei a trabalhar na mixtape quando dei por mim tinha já vinte e três faixas e dessas vinte e três fiquei com apenas dezanove…”

Entrevista:

Como surgiu o nome Xoye?

Foi no 6º ano na altura eu vestia roupas da marca xdye e havia um colega meu que confundia sempre xdye com xoye, então ele em vez de me chamar xdye por engano chamava-me Xoye e a cena foi-se espalhando, e quando decidi entrar na cena do hip hop decidi não alterar isso, já que era a minha alcunha dá bué e todos me chamavam assim há bue, penso até que amigos meu de dá bué não têm a certeza se me chamo David ou não.

Quando começaste a rimar/cantar?

Comecei em 2005, escrevia sozinho, mas depois falei com um amigo meu que também se interessava por hip hop e decidimos escrever uma música, e foi no final das férias de verão de 2005 que fizemos a primeira música, chamava-se “Eu & tu”
Na altura tínhamos bué ideias, letras bué antigas então fizemos uma espécie de reciclagem ele tirou as rimas dele, eu as minhas depois pegamos num beat do sam the kid e fizemos a cena, em termos de qualidade de som ficou podre, mas o pessoal do bairro curtiu a cena, a ideia da musica, a esquematização, ficou fixe mesmo, a partir daí foi quase todos os meses a fazer musica e a editar novas cenas, o problema na altura era que um gajo não tinha material de jeito mas continuámos.

“…Essa editoras são como grupos do tipo eu tu e o meu vizinho, mas há um gajo que não é do grupo mas tem bué qualidade, mas simplesmente não temos espaço para ele no grupo…”

Quais foram as tuas influencias musicais? Ou o que te inspirou a fazer rap?

As minhas influências eram mais nos gajos mais fortes da tuga, o Sam The Kid, Xeg, Sir scratch Valete, Sagas, Lancelot, mas na altura quando comecei, para mim Chullage foi a maior referencia.

“…É tudo lixo, nada contra, eu por exemplo curto vender a minha cena, o problema é que os gajos são podres é tipo a musica pimba cá em Portugal mas lá vende-se bem…”

Perguntei-te isto porque a maior parte dos rappers dizem que as suas influências vêm dos Estados Unidos de rappers como 2pac e Notorious B.I.G

O rap americano a mim não me diz muito hoje em dia porque eu até curto, eles lá tem três ou quatro rappers de jeito o resto é comercial, é tudo lixo no sentido de líricas, eu não tenho nada contra, porque por mim eu vendia a minha cena, se isso me pagasse comida e despesas, o problema é que os gajos que se dão a conhecer pela mtv são fracos, para mim é tipo a musica pimba, só que não tuga não vende tanto como nos states.

Qual a tua opinião sobre o hip hop tuga actualmente?

Epa neste momento digo-te que quase todos os rappers desiludiram-me menos o Sam The Kid mas o que mais me desiludiu foi o Valete, podem dizer que ele é um diplomata, que sabe escrever, que sabe do que fala, mas eu considero-o um demagogo, ele fala para massas, ele é do tipo que fala mas não age, fala em corrupção, fala em socialismo mas depois vejo certas notas do gajo em que ele já se contradiz, diz coisas do género “ah pois afinal um gajo não pode atingir o socialismo isso é impossível” cenas que hoje se falam para esses putos de dezasseis, dezassete anos e esses putos tão a ficar cada vez mais influenciados por ele. Mas digo-te que daqui a três ou quatro anos esses mesmos putos vão poder pensar por eles mesmos e seguir os seus próprios ideais.
Por exemplo se formos ver o Sam The Kid e o Chullage, eles seguem um caminho, são admirados por massas mas não precisam de estar com um discurso do tipo epa façam isto façam aquilo, façam revolução.
Então é isso e que eu não curto no Valete, porque tirando isso, sem sombra de duvidas ele é um dos rappers que melhor escreve em Portugal.

Já que falamos de Valete e da atitude dele o que achaste quando ele surgiu com o famoso “baza correr com o Paulo bento”

Epa andei a ver essas cenas pela net, sinceramente nem sei se ele terá conhecimento ou se vendeu mesmo mas quando vi toques polifónicos dessa música a venda para o teu telemóvel, fiquei desiludido, porque, tu vês um dos teus rappers preferidos que sempre se associou a sistemas anti-capitalismo, de venda através de cash e não por entre ajuda, e aparece-me a vender um produto fútil para ganhar dinheiro fácil, sinceramente penso que foi uma das piores atitudes que vi dele, acho-o bastante inteligente mas nesse aspecto não esteve bem.

“…Então faço eu a minha própria cena, perdi horas e horas a fazer os meus beats para este projecto e achei bem comercializa-lo, não tenho nada contra quem canta em beats que não são seus, eu as vezes penso epah será que esse pessoal vai pensar que sou algum vendido?...”

Tu és da zona da amadora mas os teus contactos musicais não se limitam apenas nessa área?

Ya eu ando pela amadora, tenho contactos em Odivelas por exemplo, conheci o Lancelot através do meu irmão o Calígula conheci num concerto lá na Amadora que organizei mais uma lista da escola. Eu não andei há caça de participações para a mixtape foi uma cena natural, foram surgindo oportunidades e eu fui aproveitando, apesar de ter tentado trabalhar com alguns nomes que admirava mas que não se concretizaram, fica pra próxima.

“…Por exemplo na mixtape não mostrei um dos meus dotes que é o meu lado mais crítico, um lado mais humanista nesse aspecto a mixtape falhou, foi uma cena mais comercial…”

Conta-me acerca da tua mixtape?

Epah demorou bué tempo a fazer, comecei o projecto em Maio deste ano sinceramente não estava a espera de ter o protagonismo que tive com esta mixtape, não protagonismo relacionado com qualidade mas mais pela dimensão que teve e onde ele chegou, por exemplo ao Lancelot, ao NGA ao Madkutz a cena foi feita com o intuito da malta do bairro ouvir mas depois pensei epa já que vou fazer então quero fazê-lo bem entretanto arranjei o contacto do J-cap, mandei-lhe o beat e disse epa manda umas dicas quaisquer ele aceitou e ficou grande faixa para mim uma das melhores faixas, entretanto foram surgindo mais contactos, arranjei alguns beats de fora para não ser o único produtor da mixtape depois mais tarde surgiu o Madkutz no meu caminho foi um gajo que me aconselhou deu várias dicas e através dele cheguei ao NGA que aceitou colaborar na mixtape numa faixa bónus produzida pelo Mad, posso dizer que tive sorte surgiram pessoas interessadas em colaborar, mas também digo que levei umas barras pelo caminho, mas continuei a trabalhar na mixtape quando dei por mim tinha já vinte e três faixas e dessas vinte e três fiquei com apenas dezanove senão ainda fazia era um cd duplo..

Como classificas o teu rap?

Eu nesse aspecto tento buscar bué influencias, por exemplo na mixtape não mostrei um dos meus dotes que é o meu lado mais crítico, um lado mais humanista nesse aspecto a mixtape falhou, foi uma cena mais comercial
Eu considero-me estilo low profile um lado que pode ser calmo, rápido, underground, puchliner depende eu por acaso gosto de falar da minha família, gosto de falar dos problemas no mundo não me considero underground, gosto bué de falar a toa por outro lado, mas não sou do tipo de criticar os outros do tipo a cena daquele mc é podre, ouçam a minha que é melhor, esse tempo passou.

Tu no mês passado (Setembro) actuaste naquela festa em Odivelas dos The Touch o que achaste dos outros artistas que subiram ao palco?

Sinceramente, não foi bem como me explicaram que seria, mas foi mais uma boa iniciativa, e só disso é de lisonjear. Mas havia lá gajos talentosos por exemplo o Mo_Di_Duz, e o gajo surpreendeu-me pela actuação que fez, o HM também curti a cena dele, Mentes Criminosas também estiveram bem, mas considero que houve alguns que não tinham material consistente para subir ao palco. Eu sou do tipo que acha que se não tens no mínimo dez musicas para apresentar, e não te sentes confiante em nenhuma delas, então deves ficar em casa e pratica/gravar e depois sim mostrar trabalho consistente.

Quais são agora os teus objectivos depois de teres lançado a mixtape

O meu primeiro objectivo é chegar aos meus fã, através da minha musica unir mais o pessoal da Amadora, sinto que o pessoal não é tão unido como deveria ser por exemplo eu olho para Odivelas e vejo lá ODC Warriors criado união criada pelo lancelot e na Amadora não há isso.
Os objectivos seguintes são lançar uma EP com instrumentais meus, lançar uma EP com o Txara, fazer uma cena fixe que a malta curta do princípio ao fim, e também montar um estúdio melhor do que aquele que já tenho.

Já agora queria aproveitar para acrescentar uma cena sobre a mixtape há pessoal que fala “ah lança a primeira mixtape e já ta a vender”e eu sinceramente afasto-me disso, eu hoje em dia vejo mixtapes de malta de dezanove, vinte, vinte e um anos vais ouvir a mixtape e de onde vêm os beats? 9th wonder, Scott Storch, beats em que o 50 cent, The game já usaram etc. Então faço eu a minha própria cena, perdi horas e horas a fazer os meus beats para este projecto e achei bem comercializa-lo, sendo bom ou mau, porque no fundo não tenho nada contra quem canta em beats da net, porque normalmente eu faço-o mas as vezes penso “epa será que esse pessoal vai pensar que sou algum vendido? Comercial?” Então eu digo ya eu sou comercial nessa prespectiva, a minha musica não é boa o suficiente para ser comercial? Ok tudo bem... Mas eu quero vender, não quero viver do hip hop mas quero vender a minha cena. Por exemplo os Da Weasel há algum tempo atrás eram muito bons, faziam grandes álbuns como “O manual” para mim o melhor álbum deles, os anos passaram e vieram com o som “Retratamento” quando ouvi esse álbum epa fiquei desiludido completamente e é o que espero do próximo álbum do Valete uma desilusão porque penso ele está a começar com esse mesmo declínio.

E nesse caminho do hip hop tens o apoio da tua família?

Eles apoiam, o meu pai já incentiva imenso, até quer começar a rodar um primeiro videoclip, a minha mãe sabe que eu produzo no quarto, tá sempre a ralhar para baixar, ela ouve o som dos bombos e das tarolas mas na sala mantém-se indiferente mas sei que quando chega ao trabalho ele vai há net ouvir os meus sons (ela também vai ler isto). Eles incentivam mas por outro lado, tentam fingir que não se passa nada, e tão sempre a dar aquelas dicas “ ahh e essa porcaria da música, vai estudar, a musica não te leva a lado nenhum… “ eu acho normal a dica deles e a preocupação.

Aqui na tuga existem poucas editoras e as que existem dão poucas oportunidades de se lançarem novos talentos qual a tua opinião sobre este tema?

Essa editoras são como grupos do tipo eu tu e o meu vizinho, mas há um gajo que não é do grupo mas tem bué qualidade, mas simplesmente não temos espaço para ele no grupo, é apenas má vontade da parte dessas editoras aqui na tuga funciona assim, por mais que se fale que as editoras são mais desenvolvidas, editoras como a footmovin’ ou a horizontal eu sinceramente não me importava de entrar numa delas a cena é que um gajo apresenta um projecto mas se não tens amigos lá dentro ou uma conexão fixe, ninguém te vai querer, é o factor C ehehe.

O que achas da rapper Dama Bete e da publicidade feita a volta dela?

Vou-te dar opinião sincera, eu já tinha ouvido a dama bete antes dela lançar o álbum e pensei ‘ya ela ta crua ainda mas tem talento lá dentro, quando se soltar vai ser muito forte mas depois ouvi o single dela “cala-te” e dá a impressão que a editora pegou nela meteu-a num quarto e meteu-lhe um caderno a frente já com letras escritas e disse-lhe “bem isto é o que a gente quer que tu cantes, escreve algo parecido e filmamos-te dois ou três videoclips, vais ser o nosso objecto e a gente vai-te vender aí na rua,” então eu penso: há bué rappers aí na rua tipo chullage que não é reconhecido por quase ninguém e é mandado abaixo, muitos rappers de rua de grande qualidade mas que não passam do myspace ou do mundo memo ‘underground’ no hip hop, portanto, eu tenho de criticar a dama bete pelo modo como ela se deixou vender, porque não se se será desilusão pela bete ou pela editora, porque no fundo todos somos capitalistas e eu era capaz de aceitar o que ela aceitou, mas o modo como a editora lhe fez o que fez, não lhe dá espaço de manobra para num futuro próximo lançar um álbum consistente e com conteúdo, porque depois ninguém a vai ouvir, e tenho pena porque ela tem talento.

Quais são as tuas expectativas em relação a álbuns que vão ser lançados?

Espero com muita expectativa o álbum do Lancelot e ainda mais do Chullage que anda bué desaparecido e obviamente o Sam The Kid que eu acredito que com o ritmo que ele está não deverá tardar muito e o álbum do Regula já que a mixtape que ele lançou (Kara-Davis) deixou-me aquém das expectativas, vi apenas como um aquecimento para um futuro projecto.

Já disseste que produziste a maior parte da tua mixtape. Que material usas para produzir?

Ehehehe Material? Teclado, Rato e umas boas colunas, ah e o fruity loops. De resto só preciso de uma cabeça livre, uns bons drums para começar a inventar e uns bons plugins que um gajo tá sempre a sacar da net pra não ficar pra trás, mas epa, por mim tinha granda teclado midi ou uma caixa de ritmos, mas não penso em investir nisso já, apesar de produtores meus conheçidos me tarem sempre a dizer ‘ mano, um midi faz granda jeito, acredita’.

Sei que inicias-te a fase da escrita e da produção em tempos diferentes correcto?

Ya, eu comecei a cantar em 2005 e comecei a produzir praí no inicio de 2006, na altura, os beats eram bué podres, mas mesmo bué, mal sabia tocar no fruity loops, e primeiro que atinasse com aquilo ainda demorou cerca de um ano, a partir daí a malta curtiu dos beats e então comecei a produzir para amigos ou para vender e com o dinheiro comecei a investir em materiais. Sendo-te sincero, acho que, ser produtor é uma tarefa que exige tanto ou mais do que ser Mc, e no fundo tenho pena por mais de metade do people que vejo não dar a importância devida aos grandes produtores que há na tuga e fazem brilhar também grandes MCs, porque são eles que lhes dão a oportunidade de poderem cuspir em algo que puxa as pessoas a ouvir.


A Dream`99 Events agradece-se a todos os que tornaram possível essa entrevista em especial ao Jaime Cá e ao Xoye.

"God bless us..."

Dream`99 Events Team
Actualizado em ( 01-Jun-2009 )
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