Entrevistas
La Dupla
| La Dupla |
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| Escrito por Neor | |
| 02-Jan-2007 | |
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Vamos começar por nome, idade e estado civil ? Há quanto tempo é que se interessaram por esta vertente? Espanhol – Interessei-me por esta vertente há 8 anos, sensivelmente. Nessa – Bem, por volta dos meus 13 anos surgiu o interesse. Voltando um pouco atrás no tempo, digam como é que tiveram os primeiros contactos com o hip-hop, e quando é que sentiste o que é realmente esta cultura e o que ela significa. Espanhol – Tive o meu primeiro contacto com o hip-hop, por volta de 96, ao ver alguns videoclips, principalmente, dos Run DMC, dos Fugees e outro dos Blackstreet com Dr. Dre, isto despertou-me interesse, mesmo sendo puto, mas não serviu de muito, pois nunca mais tive acesso à cultura, até 99, quando comecei a ouvir grupos e MC’s americanos (como: Wu Tang Clan, Eminem, Dr.Dre, DMX, Busta Rhymes, Cypress Hill, etc). Só tive o meu contacto com o hip hop português quando ouvi Mind da Gap (atráves do hit single “Todos Gordos”), adorei-os como grupo e, apesar de hoje não serem uma referência para mim, admiro-os. Contudo, o que marcou, realmente, impacto para mim foi Chullage e Sam The Kid, o aparecimento destes 2, aquando o boom do rap tuga, foi crucial para o meu desenvolver como ouvinte e, depois, como rapper. Andei muito tempo desnorteado do que o hip-hop significava como cultura, até começar a assistir a concertos, o que, realmente, me fez perceber o que representava e o que defendia. Não posso dar uma definição da cultura hip-hop, não seria correcto da minha parte limitá-la à minha perspectiva, mas acredito vivamente que se baseia no feeling, na sinceridade, na verdade, e no direito à mudança. Nessa – Primeiro contacto tive através da minha família. Os meus tios ouviam o que se fazia lá fora (2Pac, DMX, Ice Cube, Run DMC,...) não só Rap como também Reggae, e como, na altura, morávamos todos juntos, era quase impossível não ouvir também (se bem que não percebia nada). Mas, na verdade, quem me influenciou mesmo foi um primo que ouvia muito Fugees, talvez daí a minha admiração pela Lauryn. Agora, em relação ao “sentir”, isso veio mais tarde, aquando da ida ao meu primeiro concerto de raptuga! Tinha 13 anos, fui ver Mind Da Gap no Avante, SOZINHA! Acho que nessa altura, ‘tava ainda a tentar perceber como é que as cenas funcionavam porque só mais tarde, quando comecei a ir a concertos a sério, é que me dei conta do poder do Rap. Mas lembro-me também que quando comecei a ouvir rap, prestava muito mais atenção aos beats, aliás, só me concentrava nisso, nem ligava às letras (risos)! Mas a consciencialização plena veio mesmo quando decidi rimar, a sério. Eu não diria “significado” porque ao te dar o meu, acabo por desvirtuá-lo, no entanto, uma palavra sintetiza o que penso e sinto sobre isso: Atitude. Qual foi a razão para começarem a rimar? Espanhol – Bem, posso dizer que comecei a rimar por instinto: sempre gostei muito de poesia, apesar de não ter muita paciência para ler, daí o meu interesse na rima escrita. Mas no que toca a rimar como MC, fi-lo, por vontade de me exprimir, baseado na minha admiração de vários MC’s tanto portugueses como estrangeiro, felizmente, nunca plagiei nenhuma característica de nenhuma dos mesmos, mas sempre foram influências fortes, que ainda hoje tenho em alta consideração. O resto veio com força de vontade, amor, suor, dor, paciência, tempo e muita dedicação. Nessa – Rimar é distinto de escrever, pelo menos a meu ver, por isso, se te referes à escrita, foi um pouco por “necessidade”, se é que assim se pode dizer. Senti que podia transmitir para o papel muito daquilo que me ia na alma, e isso por si só, já era tirar metade do “peso”. Agora, rimar foi por duas razões. Uma foi porque me apercebi que conseguia transformar os meus sentimentos em pensamentos, o que acaba por ser fundamental quando rimas. Adquires a capacidade de para além de sentires, conseguires interpretar e reflectir sobre isso. A outra razão foi, sem dúvida, ouvir certos beats que me “puxavam” e me davam muita pica!! A margem Sul é um local ideal para se nascer e começar a rimar. Porque é que acham que isto acontece? Espanhol – Não concordo que a margem Sul seja um local ideal para se nascer e começar a rimar. Muito pelo contrário, creio que não importa o sítio donde vieste, nem para onde irás, nem onde estás, mas sim o que tu és. O importante na vida e no rap é seres tu mesmo. Contudo, não posso deixar de evidenciar que se há pessoas que fazem a mesma afirmação que tu fizeste, é fruto do grande talento e trabalho que há por estas bandas. Nessa – Em relação à nascença, se calhar é porque há muitos parques infantis (risos). Não, agora a sério. Não há nenhum factor de correlação entre o que disseste. Agora, em relação a rimar, digamos que é mais propício, dado que existem óptimas influências sulianas. O que acontece, e não raras vezes, é, pessoal que cresceu na Margem Sul ter tendência para fazer disso uma qualidade como Mc ou uma mais-valia. Daí, vermos tantos w’s (wannabes e wacks). Na minha opinião, Margem Sul é Margem Sul, incomparável e sublime mas não façamos disso Carnaval, até porque depois há a tendência para alimentar esse mito que, de facto, não existe. Qual é a vossa mensagem nas tuas músicas para os ouvintes? Nessa – Tanta coisa e tão pouco...ATITUDE! Cabe a cada um interpretar da melhor forma... Espanhol – Basicamente, é como a Nessa disse: atitude. Sobre qualquer tema que tu nos vejas falar, tu vais notar isso. Estamos a marcar a nossa posição, e a mensagem é de mudança! Acho que para os nossos ouvintes o importante é perceberem o que estamos a querer fazer e porquê! Venham aos concertos, vocês verão isso. O que achas do nosso movimento nacional? Achas que está a evoluir? Nessa – “Nosso”! Gostei :D Pah, acho que não sou a melhor pessoa pra fazeres essa pergunta...quase que só consigo ver cenas más sabes..basta ires a um concerto e confirmas isso.. Falta mesmo é convívio, interacção e respeito pelo trabalho e dedicação dos outros! Aparecem muitos projectos mas tão rápido nascem como morrem. Falta empenho e aperfeiçoamento. Falta apoiar novos projectos. Falta “admitir” que tal grupo ou mc são bons. A Internet ajuda imenso na divulgação, etc. mas no que toca a convivência e respeito, nota 0. Faz com que toda a gente queira ter opinião sobre algo, não importa se tem fundamento ou não, o importante é divulgar a ignorância. E muitas vezes quem critica, fá-lo a comer batatas fritas, sentado em frente ao pc e a comentar de fórum em fórum, sem saber o esforço e dedicação que vai por trás de cada trabalho, e na maior parte das vezes esse people não cresce, não evolui, ficam com mentes anãs. Viver o movimento através de um ecrã?! Ainda na mesma lógica, costumo ouvir cenas do género.. “5euros???Buéé cara a entrada!!” (...) Faltam Mulheres que façam a verdadeira Revolução! Ainda sonho acordada com o dia em que darei um concerto para Mulheres na 1ª fila, PODRES DE ATITUDE! Pah, por aí vês..há tanta coisa que pode (e deve) mudar.. Quais são os artistas que mais vos influenciaram ? Espanhol – Os artistas que mais me influenciaram, directa ou indirectamente, foram rappers com grandes ideais ou background, como: MAC, Factos Reais (aprendi muito com estes 2 grupos), Lauryn Hill, Method Man, ODB, DMX, Eminem, Xzibit, Chullage, Sam the Kid, DGB, Tupac. Nessa – Essa é fácil! (risos). Lauryn Hill, apesar de também no início me ter deixado levar muito por Missy Elliott!! Agora, cá, sem dúvida, M.A.C. ! E não me lembro de mais ninguém. Mas acho que influências são influências e por serem indirectas e muitas vezes não identificáveis, possivelmente deixa-se escapar boa música pelo meio. Vocês lançaram um ep há muito pouco tempo que balanço tiram dele ? Espanhol e Nessa – Realmente, foi há muito pouco tempo e nem parece hehe. Após terem passado um pouco mais de 7 meses, desde o lançamento do nosso EP “A Apresentação”, noto que, tê-lo “lançado” foi uma mais valia para o grupo, uma vez que nos solidificamos ainda mais e isso, curiosamente, fez com que houvesse alterações na sua constituição, fazendo agora parte do grupo, o DJ X-Acto. Felizmente, o EP chegou a muita gente, e ainda continua a chegar, de várias zonas e distantes, deu-nos a conhecer muita gente, actuamos em vários sítios, deu-nos uma evolução musical, mental e pessoal como rappers sobretudo como MC’s (sim, há uma diferença entre rappers e MC’s, um MC é um Mestre de Cerimónias, é aquele que quando sobe no palco, sabe estar num palco, sabe apoderar-se do palco no seu tempo de antena e, sabe defender aquilo que apoia com convicção e tu notas isso no seu olhar e postura, enquanto que o rapper é tudo o que advém a isso, é o músico do hip hop, é o interpréte das suas ideias e ideais) e, criou-nos muitas oportunidades abrindo mais portas, mas tudo porque nós conseguimos abrir a primeira. Vocês estiveram no palco dos novos valores no Avante a actuar para muitas pessoas qual foi a sensação de estar lá em cima ? Espanhol – A sensação de ter estado a actuar no palco Novos Talentos no Avante, em 2006, foi de loucos. Pela primeira vez, tivemos uma pequena multidão (o numero rondava entre 300 a 500 pessoas) tudo de olhos postos em nós e com o intuito de nos ver. Foi algo bastante gratificante. Desde já agradeço a toda a gente que lá esteve a dar-nos apoio e atenção, porque sem isso a resistência dos músicos não sobrevive. Nessa – Concordo plenamente com o Espanhol se bem que ele ficou frustrado porque se queria atirar do palco para o meio da multidão. (‘tão a ver as mortes né?) (risos) Vocês já têm bastante experiência a actuar, que conselhos dão aos mc's que estam agora a começar a dar concertos ? Espanhol – O meu conselho é bastante simples: tenham atitude! A partir do momento em que tu pegas num microfone perante um número de pessoas (pode ser só uma!!!) tu tens que mostrar aquilo que vales. Tens que mostrar segurança no que dizes e como o dizes. Não é só pegar num microfone e começar a rimar, isso qualquer um consegue. Há que encarnar as tuas letras, interpretá-las, dar-lhes vida, dar-lhes um significado! E às vezes, consegue-se fazer isso, com simples gestos que vários rappers não se apercebem, como olhar nos olhos do público, não olhar para o chão, manter uma postura direita em palco, saber comunicar com o público (não é só pedir barulho, depois de cantar uma música). Nessa – Pah, é mesmo isso! Essas pequenas grandes dicas são muito importantes e quem está a começar a dar concertos vai-se aperceber do impacto que isso tem no público. Acrescento só que o vosso primeiro concerto, vai ser isso mesmo, o primeiro concerto. Digo isto porque no primeiro concerto é normal levar os amigos para nos sentirmos mais apoiados e confiantes. Mas não façam disso uma necessidade constante. Vocês sabem que os nossos amigos sempre nos aplaudem, sejamos maus ou bons. O que é crucial ouvir são as palmas de desconhecidos, porque uma das maiores dificuldades é aplaudir quem não se conhece. Isto significa que vocês precisam de ser “atirados aos leões”, quantas vezes forem precisas, até aprenderem a dominá-los...a partir daí, ‘tão prontos p’ra guerra! Há uma coisa que me passa todos os dias pela cabeça, qual é afinal o segredo do tempo (risos) ? Espanhol e Nessa – É dar tempo ao tempo!! (risos) Não, a sério. A mensagem que veicula nessa música corresponde a um erro fulcral (e que pode acabar com um projecto, antes sequer dele ter comelado) que muitas vezes é cometido: o lançamento de projectos que não tiveram tempo para amadurecer; da pressa que surge, sempre, como inimiga da perfeição e o facto de se querer dar passos maiores que o próprio crescimento. Para terminar ainda melhor, deixem aí a vossa mensagem ou mandem props libertem-se aí… Espanhol – Propz para todos aqueles que me influenciaram pela negativa ou pela positiva e para aqueles que vão aparecer no meu caminho, pelos 2 mesmos aspectos, vocês com a alma da música, são o meu rap! Mas quero agradecer sobretudo, aos meus verdadeiros amigos, e àqueles que me/nos querem bem. Se estão interessados em nós, sabem onde nos encontrar: www.ladupla.pt.vu / www.myspace.com/ladupla1, Este endereço de email está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar activado para poder visualizar o endereço de email . PS: X-ACTO no prato!!! Nessa – A nossa mensagem ‘tá implícita em todas as respostas ao longo da entrevista. Se quiserem saber mais, mandem mail’s a perguntar sobre os concertos. Se vos apetecer mesmo ir e conviver connosco, dêem a dica. Teremos todo o prazer em ‘tar com vocês! Tenho que mandar props para um amigo que nos tem acompanhado ao longo de toda a nossa caminhada. Não dá pra fechar os olhos à amizade...Obrigado mesmo, Lamboxa. |
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| Actualizado em ( 02-Jan-2007 ) |
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