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PIRATAS DISCOGRÁFICOS: HERÓIS OU VILÕES? criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Sin   
07-Jun-2009
Pessoal, mais um artigo do meu mano Soba L e como sempre, temos exclusividade na sua divulgação... Boa leitura.
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Nós vivemos numa sociedade global e de risco eminente, onde entre a necessidade e a lei apenas medeia um pequeno passo. Como em toda sociedade, é necessário que haja sempre um elenco mínimo de normas e princípios jurídicos que pautem a conduta humana, para poder demarcar e harmonizar os inevitáveis conflitos de interesses.Sendo inevitáveis os conflitos de interesses entre os membros desta mesma sociedade, deparamo-nos frequentemente com um leque diverso de infracções aos princípios e normas que regulam o nosso meio social em todas as suas áreas.
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O nosso país encontra-se nesta fase, em pleno estado de graça no que toca a produção e difusão de obras artísticas, produção profusa e diversa com um crescimentos vertiginoso nos últimos 5 anos.E se de um lado temos um conjunto de criadores e autores em ascensão necessariamente ter-se-á do outro lado um conjunto de instrumentos legais criados com o objectivo e a finalidade de proteger os criadores e autores dessas obras artísticas.
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Os direitos destinados a proteger os autores e criadores dessas obras artísticas são legalmente protegidos, e quando são violados, caímos inevitavelmente na figura da violação dos direitos de autores (Contrafacção, usurpação ilícita e o plágio). A contracção reflecte a venda, cópia ou distribuição destas mesmas obras artísticas, sem o convénio ou aval do legítimo criador ou autor, no sentido de pagar-se os direitos de autor.
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Pois cabe ao autor de uma obra protegida por lei, o direito exclusivo de praticar ou autorizar a prática por terceiros de actos como: publicação, reprodução ou comunicação ao público da sua obra por qualquer meio sonoro ou visual.
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A criação dos direitos de autor tem como fim último a protecção e promoção dos nossos artistas assim como das suas respectivas obras promovendo-se desta forma a política cultural do nosso país.
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Os Info-excluídos
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A pirataria como outro crime qualquer merece um estudo sistemático e profundo sobre as suas verdadeiras causas e motivações por parte dos nossos criminalistas, sociólogos e psicólogos.Só com um estudo sobre este tipo de criminalidade conseguir-se-á de forma eficaz e eficiente combate-la, erradica-la ou amenizar os seus efeitos nefastos, por parte dos nossos legisladores (juristas) e fiscalizadores (policias) na elaboração de diplomas jurídicos assim como de operações de fiscalização e apreensão.
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Em Angola a pirataria é “sui generis”, apresentando características muito próprias e bastantes complexas principalmente em relação as obras discográficas.Angola é um país com aproximadamente 16 milhões de habitantes e 60% deste número são jovens, e sendo jovens consomem de forma directa ou indirecta a música popular angolana.
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Nós não somos um país industrializados, e essa ausência de industrialização provoca vários obstáculos e adversidades na produção e distribuição das obras discográficas dos nossos artistas.Músicos populares angolanos com provas dadas como Anselmo Ralph ou Matias Damásio, normalmente ao lançarem uma obra discográfica editam entre 15 mil á 25 mil cópias para um número de fãs a rondar os 2 milhões por todo o país.
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Os 15 mil ou 25 mil cds colocados a venda, esgotam sempre na primeira sessão nos locais pré-definidos para venda e sessão de autógrafos em Luanda.Ficamos numa situação em que em um dia, os cds todos são vendidos em Luanda, e ficamos com as outras 17 províncias sem um único cd à disposição dos interessados.
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Qual é a solução nestas situações? Ficar 3 meses á espera da reedição?
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Saindo a reedição normalmente os poucos cds disponíveis servem apenas o público de 2 ou 3 províncias, ficando mais de 15 províncias á espera do cd original para posterior aquisição.
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Como farão os fãs do Anselmo Ralph ou Matias Damásio residentes em zonas como Xangongo, Chibia, Nharea, Andulo, Cahama ou Santa Clara, por exemplo, para adquirirem as suas cópias? Estes são os chamados “Info-excluídos”…! “Info-excluídos” porque, não têm a sua disposição lojas de revendas de cds originais, internet para comprar cds originais online e muito menos agências da DHL para encomendar esses mesmos produtos.
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É nessa altura que surgem nas suas vidas, os Super-Homens vulgo Piratas ou vendedores ambulantes. Graças a esses piratas ou vendedores ambulantes as músicas dos nossos músicos chegam aos 164 municípios do nosso país.Nestas situações o recurso a pirataria não é justificável, como é óbvio por tratar-se de uma infracção penal, mais todavia explica-se…!
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E por ironia do destino depois de alguns meses, os mesmos músicos fazem digressões por essas zonas “info-excluídas” e realizam concertos e ficam fascinados com a recepção do povo.
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Será que não perguntam aos seus botões como é que a música deles chegou a essas zonas? Quem as divulgou? Quem as vendeu? Quem as tornou popular? Eles sabem que foram os piratas que divulgaram e promoveram as suas obras nessas zonas “info-excluídas”. Pois é do conhecimento deles e das suas direcções de marketing que nessas zonas não foram enviadas cópias originais para revendas.E os vendedores ambulantes como é que ficam nestas situações, heróis ou vilões?
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São estas situações delicadas e complexas que merecem muita atenção na abordagem e resolução deste tipo de actividades ilegais no nosso país. Pois não podemos aplicar normas penalistas ocidentais numa comuna de Angola “info-excluídas”.Entretanto os nossos artistas não são culpados, muito menos os compradores dos cds piratas nessas zonas “info-excluídas”. De quem é a culpa?
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Ao penalizarmos os vendedores ambulantes dessas regiões, é preciso termos medidas razoáveis e proporcionais. Pois caso contrário estar-se-á apenas, a fazer frente ao problema e amenizar os seus efeitos, mas erradica-lo… jamais!!!Um músico quando vai dar um concerto numa zona do país onde ele sabe que nunca vendeu, nem mandou cds originais para venda oficial, e é recebido com aplausos em vez de 7 pedras, deve agradecer aos Super-Heróis vulgo Ambulantes ou Piratas.Afinal de conta os meus manos na comuna da Môngua (Cunene) também merecem ouvir o Anselmo ralph. Ou devem esperar uns 20 anos até abrir-se RMS e Stromp’s nessas localidades? Para eles basta os Super-heróis, heheheeh
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“Que atire a primeira pedra quem não tem um cd pirata em sua posse”
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“Bem-vindos a contrafacção pela info-exclusão”…!!!
Ps: Don’t Try This At Home heheheheh +21

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Actualizado em ( 07-Jun-2009 )
 
Onde anda? criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Sin   
02-Jun-2009
Dizia o Chullage no seu último concerto no Porto que hoje se ouvem beats cada vez mais fortes e mais espectaculares, o que deixa cada vez menos espaço (em termos de tempo e também em termos de audibilidade) para se ouvir o mc. Acrescentou ele que isto não era inocente: "é porque hoje são cada vez menos os rappers com alguma coisa para dizer". Foi qualquer coisa como isto.

E é um facto.
Lançam-se hoje discos onde os beats são cada vez mais, como se diz na gíria, xpto. E, pior, na grande maioria dos casos, o xpto não é bom. É mau, foleiro.
Eu não sou nenhum purista, se for essa a acusação. Longe disso! E tenho raiva a quem é! Para ser franco, nem sei muito o que isso é... Aprecio muitíssimos novos rappers e produtores. Tanto perco a cabeça com uma cena de um Premier ou de um Pete Rock como de um Alchemist, de um Vadim ou de um J-Live. E isto esqueçendo tantos e tantos outros como Madlib, J-Dilla, Tonk, 9th Wonder e por aí fora...
Agora que é indesmentível que o espaço para o mc começa a ficar atrofiado, isso é. Se por culpa dos produtores pelos beats demasiado cheios que fazem ou dos rappers por terem pouco para dizer (ou se têm, por ser vulgar e liricamente pouco criativo), isso não sei ao certo.

O que eu sei é que o Premier fazia beats largos, abertos, escancarados, para o Guru (no caso dos Gangstarr) ou qualquer um rimar à vontade. O que eu sei é que os A Tribe Called Quest só precisavam de um simples boom-bap funky para fazer autêntica poesia:

The beat is over and so is the night
The sun is risen and the shine is bright
We all say peace and go our separate ways
Youth is fading as we gain our days
Expedition for the song is simp'
The hours creep, excuse me, I mean limp
As we go you hear a gasp of laugh
As we start up our rhythmic path


"After Hours", A Tribe Called Quest

Onde anda a poesia no rap?

A poesia, sim. E não meia dúzia de palavras, mormente de frontin', atabalhoadamente encaixadas nuns desgostosos versos.

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Actualizado em ( 01-Jun-2009 )
 
Novos Meios criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Sin   
02-Jun-2009
Em Julho de 2007 escrevi um post chamado “Sem Meios Não Há Conquista”, em que falava da falta de infraestruturas que divulgassem e expandissem o Hip Hop Tuga. Exemplos: editoras maiores, estúdios, revistas, lojas, etc. Isto porque, se formos a outros países, isso já acontece, se bem que nalguns só parcialmente. Eu podia dar exemplos de países onde já existe tudo, como a França ou a Inglaterra, ou

Posted originally: 2009-03-31 18:21:00

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Actualizado em ( 01-Jun-2009 )
 
2008 e 2009 criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por Neor   
08-Mar-2009

 

 Como prometido está aqui uma análise a sério, fresquinha para o blog.

Eu neste momento não tenho usado o meu reduzido tempo em foruns de rap como antes fazia porque simplesmente não tenho mesmo tempo para passar meia hora por dia a ler as coisas com atenção.

Por isso trago uma opinião menos viciada do que se têm estado a passar no rap.

Actualizado em ( 08-Mar-2009 )
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O Machismo no Hip Hop criar PDF versão para impressão enviar por e-mail
Escrito por http://www.culturaderesistencia.blogspot.com/   
26-Feb-2009

«Every black man that goes in the studio, he always got two people in his head: him, in terms of who he really is, and the thug, that he feels he has to project.»


Este post é uma espécie de continuação do post “Hip Hop Feminino”. Estamos todos conscientes, e não é preciso ser um hip-hopper viciado para reparar nisso, que a cultura hip hop tem um grande ponto fraco, que é o machismo que a infecta. Na minha opinião, este é um dos seus maiores defeitos.

 

Actualizado em ( 01-Jun-2009 )
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